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O Gás Natural como propulsor da liberdade econômica na região Oeste de SC#

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O Gás Natural como propulsor da liberdade econômica na região Oeste de SCVer imagem ampliada
Por Tiago dos Santos Gonçalves, Engenheiro Químico.

Um dos maiores custos das cadeias produtivas no Brasil é a energia em todas as suas formas (elétrica, térmica, química, mecânica). O Oeste de SC, como grande produtor de proteína animal, demanda energia elétrica para motores (resfriamento e congelamento) e energia térmica sob a forma de vapor (cozimento, esterilização).

A energia elétrica no Brasil tem altos impostos (federal – PIS/COFINS e 7 encargos setoriais, estadual – ICMS, municipal – taxa de iluminação pública), respondendo por mais de 45% do custo, muito acima de nossos concorrentes globais.

A energia térmica destas plantas industriais é fornecida através de lenha. Como toda biomassa apresenta flutuações de qualidade, principalmente umidade, pois lenha com alta umidade reduz o rendimento da caldeira e pode em muitos casos, paradas de produção por problemas de "lenha verde” e baixa pressão no boiler, visto que para uma secagem mais eficiente da lenha há necessidade de pelo menos 100 dias, o que pode ser um problema logístico e de custo importante.

O futuro indica o MERCOSUL como importante parceiro econômico ao Brasil, onde é urgente a análise de acordos na questão de Gás Natural da região Norte da Argentina para a Região Sul do Brasil, resultando em uma diversificação da matriz energética do Brasil, que implica em maior oferta de energia e de agentes econômicos envolvidos.

Há uma conexão de gás argentino em Uruguaiana (Térmica a Gás parada atualmente), com possibilidade de integração via Noroeste do RS (São Borja e Três Passos) e Oeste de SC (Dionísio Cerqueira), criando uma malha de Gás Natural de grande capilaridade e interligando ao Gasoduto Brasil-Bolívia. O PR interligaria o GASBOL atual em três pontos via Paranavaí-Três Lagoas (MS), Londrina-Penápolis (SP) e Jacarezinho-Itapetininga(SP). Com isso o Gás Natural pode ir ao  interior da Região Sul, melhorando os custos de energia elétrica e térmica deste importante setor da economia nacional com ganhos até mesmo ambientais, via redução de particulados resultantes da queima de lenha e disposição de cinzas via empresas de coleta de resíduos industriais.

Para fins de exemplo (em cenários mais pessimistas), a energia elétrica e térmica de uma unidade do Oeste de SC se abastecida por Gás Natural (13.000 Nm³/h) e produzindo energia em sistema de cogeração (elétrica e térmica) com em ciclo combinado, gera uma economia de custo na ordem de R$ 1,5 milhões mensal (além do ganho de produtividade e de paradas de produção) em comparação a compra da concessionária local e lenha.

A troca da matriz desta unidade libera ainda uma área de 40.000 hectares de eucalipto para uma produção potencial de 200.000 toneladas anuais de milho (5 ton/hectare – que é possível https://www.sc.gov.br/index.php/noticias/temas/agricultura-e-pesca/santa-catarina-encerra-safra-2017-18-de-graos-com-recorde-na-producao-de-soja), que está sendo importado de várias regiões, ou até mesma a produção de algas para alimentação animal (http://www.agronovas.com.br/algas-marinhas-para-nutricao-animal/), reduzindo nossa necessidade de milho/soja importados.

Imagina em todas as unidades produtivas de alimentos da região Sul (mais de 400 unidades ativas no Sul entre aves, suínos, leites, bovinos, pescados, fábricas de gorduras e subprodutos apenas contando as plantas SIF http://bi.agricultura.gov.br/reports/rwservlet?sigsif_cons&estabelecimentos), com aumento de produção de milho/soja e o aumento crescente por estes produtos no mercado externo, melhorando nossas contas externas no balanço comercial.

A criação de uma rede de consumo de grande porte de gás natural é a base para outras formas de consumo deste importante insumo moderno, como o GNV, que teve pouco êxito em Chapecó pelos custos logísticos e de envase no litoral. Além disso o gás pode ser um concorrente ao GLP tanto para uso doméstico quanto em aviários, assim como uma alternativa de injeção do biogás em muitos locais via compressão e injeção ao sistema, como ocorre para a empresa no RS (http://www.ecocitrus.com.br/index.php/sobre-a-ecocitrus/usina-de-biogas-4) que injeta na rede de Gás Natural local pelo tratamento de rejeito orgânicos, uma alternativa técnica para o tratamento de dejetos gerados nesta Região, como uma nova cadeia de suprimentos e aumentos de produtividade e renda local.

O Gás Natural para a região Oeste de SC seria uma das molas propulsoras de liberdade econômica, pois novos processos e a competição das diversas formas de energia (lenha, gás) faria com que todos os agentes econômicos envolvidos em suas cadeias de suprimentos melhorassem e com isso os custos de produção de alimentos baixariam, resultando em maiores vendas e rendas ao Oeste de SC

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